Boas histórias terminam.


O que é isso que temos com sequências? Por que revivemos esse dilema de que o segundo ou terceiro filme / jogo de uma saga acaba se tornando enfadonho, mal feito ou simplesmente ruim? Parece até uma maldição, mas temos de admitir que é quase rotineiro se deparar com outras instalações da sua série favorita e perceber que tem algo faltando ou que "o anterior era melhor". Vamos tentar entender aqui o motivo.

Há a longa resposta e a curta, mas não quero focar em nenhuma das duas, vim aqui para tentar colocar um ponto de vista diferente na mesa. Entretanto, vamos começar do início. O ano é 2007 e você estava saindo de casa com seus amigos para ir no cinema e assistir o maior lançamento do ano, claro, Homem-Aranha 3. Você termina, sai da sala de cinema sem entender por que o filme estava tão estranho e diferente dos anteriores e segue com a vida apenas para escutar, algum tempo depois - e vindo da boca do próprio criador - que aquele filme sequer deveria ter existido daquela forma e que foi tudo uma questão de "dinheiro dando ordens". Ai está uma das fatias do problema, a obra de arte como objeto rentável. Vamos ser honestos, a fase Sam Raimi do Homem-Aranha com Tobby Maguire foi esquisita, mas deu certo. Acho até que Homem-Aranha 2 deve ter sido o filme mais reprisado na história da TV inclusive - pelo menos para mim foi. Mas o filme só funcionou enquanto os criadores tinham liberdade de contar uma história e ter isto como objetivo. Quando você tira a liberdade criativa do diretor da sua história, o produto final acaba se tornando algo desajeitado onde você nota a preguiça dos editores e animadores em algumas das cenas. 


Alone In the Dark - 2008

Mas há diretores que tentam trazer as suas sagas de volta à vida e falham miseravelmente mesmo assim, isto se da pelo motivo maior que eu queria salientar nesse artigo. Algumas sequências dão errado porque elas não foram feitas com o propósito de complementar o objetivo da narrativa, elas são feitas como uma forma de expandir, reformular ou reviver a qualquer custo uma franquia que foi aclamada pelo que ela era como era. E muitas vezes, isto não da muito certo. 


Gregor Eisenhorn

A trilogia Eisenhorn do escritor Dan Abnett, nos conta a trajetória de um inquisidor chamado Gregor Eisenhorn e todos próximos à ele, contudo, a trilogia não é um compilado de aventuras sem muita ligação, a trilogia faz parte do objetivo de transmitir a mensagem que só pode ser completamente entendido tendo lido os 3 livros. Jamais vou spoilear o livro para vocês, mas a trama gira em torno deste Inquisidor que, no primeiro livro, explica como funciona a inquisição e como ele se auto determina um "puritano" que repudia aos inquisidores que tem atitudes radicais. A trilogia conta três momentos chaves em uma parcela do período de atividades deste personagem, sempre sem perder o foco do tema de forma majestosa que é como enxergamos a nós mesmos e como enxergamos os outros. A grande diferença entre a trilogia Eisenhorn e a trilogia do Senhor dos Anéis ou do Hobbit é que, diferente dos últimos dois citados, os livros não são um livro gigante partido em 3 pedaços, assim como os filmes. A trilogia conta um período de mais de 100 anos de atividade dos personagens, e assim como ele, você cresce junto e as vezes até se perde quando tenta recapitular como tudo deu errado, assim como ele. 


"Tirar leite de pedra"

E, claro, termina. Por outro lado, existem livros, ou sagas em geral, que se completam no primeiro e depois acabam sendo usados como cobaia para continuações - o que chamamos de "tirar leite de uma franquia" - e alguns que acabam não funcionando bem porque o próprio escritor perdeu seu foco, ou melhor, não achou um novo bom como o do primeiro. Obviamente não vim aqui para dar a solução para todos os problemas, muito pelo contrário, só os utilizo como artifício de argumentação. Queria, como eu disse, por na mesa um ponto de vista diferente.

Obviamente, também temos o que conhecemos como isca de continuação, justamente aquelas obras que tem seu encerramento deixado em aberto para a possibilidade de projeção de uma continuação, o que acontece até demais em séries na atualidade. Sabe aquela série que você acompanha por 10 temporadas e na sexta já não sabia mais o que estava assistindo? Isso acontece demais. E muito provavelmente estas séries sofrem deste problema de nunca completar sua história - Só que agora a gente sabe que talvez nunca nem tenha sido seu objetivo. Uma coisa são os cliffhangers de sexta à noite no Cartoon Network, onde o próximo episódio vinha semana que vem e o seu você de 10 anos de idade estava vibrando de antecipação, outra coisa são 10 horas de conteúdo que levam para nada e demoram 1 ou 2 anos para voltar, ou - o mais legal - são canceladas. Uma coisa são as brechas de continuação como as do final de - sem spoilers - Strangers Things ou Sabrina, outras são os finais de Desencanto, Legião ou Titans que nos priva da parte mais fundamental de qualquer narrativa: o fim. Se eu te chegasse agora e perguntasse quantas partes tem uma história, você responderia apenas "Começo e meio"? Acho que falta alguma coisa.

Bem, depois de explicar tudo isso, queria deixar mais alguma coisa óbvia, o intuito deste artigo não é condenar as obras que citei - Ok, exceto as que passam por dificuldades, dificuldades também conhecidas como Ubisoft ou Eletronic Arts - estou tentando te passar um novo ponto de vista para que você possa analisar as mídias que você consome com outros olhos. Porque as vezes isto nos escapa e é fácil de se perder em mídias que são feitas com proposito de serem apenas consumidas em massa.



Bem, acho que já falei demais. Vou fazer por este artigo a melhor coisa que posso: terminar.





- Comissar Cain
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