Dead Space, uma retrospectiva


Recentemente, SOMA da Frictional Games ficou de graça em algumas plataformas de jogos e tive a oportunidade de dar uma chance de verdade ao jogo. Amnesia era um jogo infame na minha vida e tive pouca coragem de testar o próximo da empresa por mais que eu ame jogos de horror. Terminou que joguei do começo ao fim em poucos dias e acabou sendo um dos melhores jogos de terror que já joguei, coisa que atribuo a jogos hoje em dia de uma forma extremamente esporádica, especialmente aos deste gênero. O que me faz lembrar de um jogo que me marcou profundamente e é o que eu classifico como melhor jogo de horror que já joguei, me refiro à saga Dead Space e esta é minha retrospectiva.


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Este artigo é longo, mas feito com amor. Aproveite

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Jogos de horror na década passada iam e vinham. Não eram essa bolha de jogos independentes medíocres saindo todo mês, isto se daria após 2009 mais ou menos, devido a isto, os jogos aguardados ainda eram os das grandes empresas AAA e poucas delas investiam em jogos de horror por se tratar de um nicho de difícil acesso. 2008, mesmo com tudo isto, foi um grande ano para jogos de horror. Silent Hill ainda estava lançando com Homecoming - apesar de tudo, foi sim um grande título da franquia. Fatal Frame Zero chegava pro Wii, vimos a continuação do primeiro jogo da Frictional Games, citada acima, com Penumbra e obviamente jogos péssimos como Alone in the Dark, o que não tira o mérito do ano.


"Instantes antes da desgraça acontecer"

Obviamente, no finalzinho de outubro, como de costume para jogos de terror, tivemos o lançamento de Dead Space, pela antiga Visceral Games. Dead Space (surpreendentemente) foi distribuído pela Eletronic Arts, que na época ainda tentava coisas novas, e não veio com medo de errar, veio para competir diretamente com os jogos que faziam mais sucesso na época, estou falando dele ainda, Resident Evil, que ainda contava com uma fanbase grande por conta de sua última instalação na época, Resident Evil 4. Mas a Visceral não estava vindo com o "próximo jogo de tiro" do mercado, Dead Space foi feito para inovar em tudo que os líderes do mercado tinham colocado na mesa anteriormente.


Eu ainda estou para ver um jogo tão revolucionário para o seu gênero como foi Dead Space em outubro de 2008. O jogo não contava com a utilização da interface de usuário, ou HUD, como barra de vida e contador de munição, o jogo tirava a poluição da tela para que o jogador não conseguisse se distrair do que acontecia no jogo em si, assim optando por uma HUD diegética, ou seja, sua barra de vida, por exemplo, era a espinha azul na armadura do personagem principal. Sua munição também era um holograma na lateral da sua arma. Ou seja, tudo era usado dentro do jogo de uma forma realista. O jogo deixava o jogador virar a câmera em todas as direções em volta do personagem sem precisar mirar ou se mover, para melhor visualização do ambiente - por incrível que pareça, jogos de tiro como Resident Evil 4 não permitiam isto. O jogo contava com um método extremamente inconvencional que ficava aparente quando o jogador assimilava a mira em formato de linha esquisita das armas com o fato de que os inimigos continuavam vindo para cima de você mesmo após arrancar suas cabeças... e pernas... e braços. Você não escapava dos monstros por dar o famoso headshot, você precisava estrategicamente desmembrar as criaturas para derrota-las. E várias outras coisas, como o fato de que o jogo não pausava - exceto pelo botão start - nem mesmo durante as cutscenes, fazendo com que a tensão nunca deixasse o jogador.


Com um pouco de notalgia às rivalidades entre jogos dos anos 90, o jogo continha várias tiradas bem subjetivas à outros jogos, especialmente ao próprio Resident Evil 4, especialmente por conter, também, um inimigo que se regenerava quando você tentava mata-lo... o problema aqui é que ele realmente não morria.

Mas Dead Space não foi só gameplay, ele também veio com as melhores inspirações possíveis e pouco exploradas na época. Dead Space fazia parte de uma cadeia de jogos de Alto Sci-Fi que não víamos muito, especialmente em jogos de terror. Não, sci-fi também não era esta bolha que vemos hoje em dia - por mais que tivéssemos muitos. No começo dos anos 2000, tínhamos, no máximo, DooM 3. Fora isto, teríamos de voltar aos anos 90 para ver System Shock ou Alien Versus Predator. Dead Space expandia indiretamente obras como John Carpenter's The Thing e Event Horizon, mesclando ambas as obras com temas a cerca de fanatismo religioso e a extinção das fontes de energia fóssil na terra, ambos temas que estavam em alta na época e até hoje. O jogo era extremamente gráfico (cenas fortes), talvez um dos jogos mais gráficos de todos os tempos tudo isto mesclado ao tema de insanidade que se espalhava como uma doença entre a humanidade, insanidade que provinha de algo antigo e incompreensível, bem Lovecraftiano como costumamos dizer hoje em dia.



 Necromorphs

O jogo se tornou viral por diversos motivos, muitos citados acima, gerando filmes, histórias em quadrinhos e outros jogos menores. Em 2009 já começava uma era de ouro nos jogos de horror, junto de grandes lançamento como Left 4 Dead 2, que causou o início da bolha dos jogos de zumbi, e a massificação dos jogos independentes depois de grande lançamentos como Limbo se tornarem mainstream. Não ia demorar muito tempo para a Eletronic Arts lançar o segundo, dado o sucesso do primeiro e o ambiente propicio a jogos de horror - ou que achavam que eram de horror - onde estávamos na época. Dead Space 2 lançou logo sem cerimônia no início de 2011 - Eu obviamente comprei no lançamento, a edição limitada que vinha com uma remasterização do anterior Dead Space Extraction (Com suporte ao fracasso do Playstation Move). 

O jogo se encontrava em um ambiente diferente de 2008, onde ele já mostrou a que veio, agora, a Visceral Games ia expandir em tudo que tinha feito no primeiro, inclusive no personagem principal, que agora tinha voz e rosto. O jogo era maior e melhor que o primeiro em quase todos os aspectos. Com gameplay polido e expandia a história e desenvolvimento de personagens, principalmente do protagonista, Isaac Clarke, que ajudava a narrar a história por se tratar de uma peça pivô para a trama. O jogo se mantinha nas suas raízes sem esquecer de tentar coisas novas, como inimigos mais perturbadores, sequências mais estressantes, maior dificuldade e até mesmo um retorno à nave do primeiro jogo. O jogo não deixava nada para a imaginação, assim como o primeiro, continuando extremamente violento e gráfico em geral. Definitivamente um dos jogos que mais joguei até perder a conta de quantas vezes finalizei. Obviamente, Dead Space 2 expandia o sucesso de seu jogo anterior e já tornava a franquia destinada a ser um clássico, como dizíamos na época, mas faz até parece que não estamos falando da Eletronic Arts não é? Claro, devido ao sucesso, o próximo jogo da franquia viria ainda mais cedo do que o segundo.


Dead Space 3

2013 lançava o terceiro e tão aguardado jogo da franquia, porém diferente. Víamos a mesma cara mas escutávamos outra voz. Dead Space 3 passou longe do que a franquia tentou construir. O jogo tentou manter o aspecto de horror que tinha antes, porém aguado, o que não seria um problema se muitas das coisas que tornaram a franquia um sucesso para começo de história não tivessem sido abandonadas. O combate inteligente foi reduzido a metralhadoras e cover, o mistério da história foi abandonado completamente pois o jogo vinha para desfazer todas as perguntas, e os personagens pareciam uma piada contada vezes demais. O jogo continuava sendo um bom jogo de ação, mas a que custo? Não demorou muito para termos o DLC, Awakened, que aparentava mais a um último prego no caixão que eles pareciam se arrepender de não ter dado antes.

Dead Space 3 apelou para muitas coisas, mas, no fim, foi um fracasso. Ele encerrou seu fenômeno econômico e histórico. "Aqui é onde tudo acaba" tanto no jogo e fora quase como se isto já fosse algo esperado. Em 2017 tivemos a triste noticia, logo após uma breve esperança vindo da própria empresa, onde fomos noticiados que Dead Space 4 poderia realmente acontecer, para alegria dos criadores da saga. Em outubro de 2017, no mesmo mês que Dead Space haveria sido lançado, quase 10 anos atrás, a própria Eletronic Arts anuncia o fechamento da Visceral Games. E é aqui que a jornada encerra.

A franquia acabou morrendo, junto do estúdio por trás, mas ficamos com o legado de uma saga mais do que excepcional, inesquecível. E assim como dizia o próprio subtítulo do jogo:


"Apenas os mortos sobreviverão" 




- Comissar Cain
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Sobre Comissar Cain

Formado em Cinema e fanático por cultura de nicho como Card Games, War Games e RPGs.
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