O fim de F.E.A.R.


Aos que jogavam video games no início do século 21 deve ser memorável o nome "F.E.A.R.", só talvez não saibam o que era. Na própria época era difícil de decifrar exatamente a natureza verdadeira do jogo devido à sua campanha de marketing e se tratando de um jogo que vinha de um estúdio menor. Vou te dizer algumas coisas sobre a franquia e como ela mudou radicalmente o mundo dos jogos da mesma forma que mudou a si mesma.

A Monolith havia lançado alguns jogos notórios nos anos 90 e começo dos anos 2000 que até hoje carrego com nostalgia, como o próprio Blood e No One Lives Forever. Porém, nenhum deles teria a cobertura que F.E.A.R. recebeu mesmo com pouquíssimo tempo de revelação. Não era nenhum Cyberpunk que está de molho no hype desde 2013. O jogo teria sido revelado durante a E3 de 2004, com poucas informações. Ainda não se tinha ideia do que se tratava além de ser um FPS e que parecia incrível graficamente. Mesmo assim, não demorou muito tempo para a empresa por trás soltar mais noticias sobre sua história e também contávamos com a presença ilustre de ninguém mais, ninguém menos que John Carpenter, que ficou tão interessado com o jogo que se tornou até seu porta-voz. Aliado a isto tudo, vamos ser sinceros, o jogo é absolutamente lindo. Nas sombras, nas luzes, as texturas, a fluidez do movimento dos personagens, tudo era de ponta e o hype estava instalado em volta disto.
F.E.A.R. -  2005

O jogo era finalmente lançado em 2005 com a premissa de ser um thriller de horror com ação comparável à de filmes blockbusters da época, e ele estava certo em tudo que prometeu e foi um sucesso completo na crítica. O gameplay continha uma das inteligências artificiais mais bem feitas de todos os tempos e até hoje conto nos dedos os jogos que coseguem fazer sequer parecido. O gameplay era diverso e permitia que o jogador usasse armas de fogo, corpo-a-corpo definitivamente sofisticado como eles prometeram e um sistema de Bullet Time (Câmera lenta) inesquecível. A história era interessante, não era dada de bom grado e a atmosfera era densa e bem construída. Alguns sustos envelheceram mal, mas o jogo soube usar do medo e do fator da antecipação.

Obviamente, o jogo imediatamente ganhou versões confirmadas para PS3 e Xbox 360 e duas expansões, que sairiam mais tarde, e o mais importante, que era uma sequência. F.E.A.R. 2: Project Origin, que foi recebido com criticas bem positivas com uma certa oposição dos fans, que começavam a desenvolver a "Síndrome do Resident Evil 4" como conheceria mais tarde - E que é assunto para outro artigo. O jogo não era a revolução gráfica que foi F.E.A.R. em 2005 e não continha a continuação direta da história anterior, contudo, desenvolvia a história da saga de forma bem mais precisa, onde o primeiro deixava tudo por conta de mensagens escritas ou áudios espalhados pelo cenário todo. Tínhamos agora cutscenes te situando nos acontecimentos e o jogo não se passava mais somente em um prédio estilo Duro de Matar, você realmente sentia indo atrás dos fatos e entrando mais e mais na toca do coelho. Aqui, pelo menos matinha o foco no horror, com sequências novas que o tornariam icônico através das missões, e, como um todo, foi um ótimo jogo.

Então acabamos por aqui. O que quero dizer é que F.E.A.R. como jogo e a Monolith seguiram por caminhos diferentes. O que aconteceu foi mais um dos eventos que agregam à nossa total falta de compreensão nos planos que as grandes empresas tem com seus jogos. Monolith não trabalhou no próximo F.E.A.R., conhecido apenas como F.3.A.R. No seu lugar, os responsáveis foram do estudio Day 1 Studios, uma equipe com pouca experiência no mercado. O que aconteceu foi o esperado.


F.3.A.R. - 2011

O jogo lançou em meados de 2011 com um certo hype e promessas de motor gráfico novo e também da autodenominada "fear engine" que tentava fazer alusão a um sistema - Como o do motor gráfico - complexo de sustos e afins. Eu não tenho para que fazer cerimônia, o jogo foi um fracasso na crítica. A história retornava aos personagens principais do primeiro jogo mas não ia muito longe, com plot holes que tornavam a aventura toda sem sentido, fins prematuros de personagens sem explicação e definitivamente não dava medo a ponto de você chegar a esquecer que estava jogando um jogo de terror . A "fear engine" foi uma decepção total e não passava de micro eventos aleatórios que mais irritavam do que assustavam, devidos à sua repetição. O gráfico não tinha nada de especial e o estilo de arte sofria de diversas inconsistências, contudo, o jogo pelo menos fazia bem o combate, o que eu não posso recomendar, pois isto seria glorificar o gameplay desmiolado acima do pacote completo que este jogo não definitivamente não tem.


2011 foi um ano espetacular para jogos, consideravelmente o maior ano para video games deste década, mas foi um péssimo ano para F.3.A.R. Tivemos lançamentos como Batman: Arkhan City, Uncharted 3, Battlefield 3, Portal 2, Skyrim, Zelda e a lista segue adiante - Ela é extremamente longa, confie - mas, principalmente, Dead Space 2, que foi o grande lançamento de horror do ano e ninguém iria jogar F.3.A.R. com Dead Space do lado. Não que o jogo merecesse o contrário, mas acabou que ele foi massacrado pelos outros lançamentos do ano, e, como um todo, é visto como mais um caso de incompetência da industria por jogar um jogo do porte de F.E.A.R. nas mãos erradas como se o jogo fosse algo de baixo valor.
Cristo...

E agora é chegada a hora de esfregar o fundo do poço. 2014 e a Monolith, o estúdio original que nos deus os primeiros dois jogos e outros jogos fantásticos como Condemned, estava ainda mais em uma boa posição pelo lançamento de seu novo jogo Middle Earth: Shadows of Mordor, que foi um sucesso massivo na época, contudo, como uma piada de mal gosto, praticamente simultaneamente - Para a beta, poucas semanas depois para o jogo completo - tivemos o lançamento de F.E.A.R. Online. Antes de tudo, eu não sinto nenhuma gratificação por falar mal desse jogo e acho que a existência de coisas assim - comparável atualmente ao lançamento de Metal Gear: Survive - como uma verdadeira tragédia e algo completamente desnecessário, mas vamos lá. O game, lançado por uma produtora Coreana, seria um FPS cooperativo on-line com modelo free-to-play, mas não teve vida longa. Na verdade, F.E.A.R. Online foi um dos maiores fracassos da história dos video games. Sem suporte, sem nenhuma qualidade técnica - apenas cópias de elementos do segundo jogo - má tradução, problemas de localização, sem inspiração em geral o jogo deixou de ser e foi completamente fechado em menos de um ano após seu lançamento

Eu sinto como se estivesse me repetindo, mas a verdade é que muitos jogos passam por esta ciranda, onde as necessidades da distribuidora acabam superando a liberdade criativa dos desenvolvedores e acabamos deixando a qualidade de lado e quem começa a dar as ordens é puramente o dinheiro. Acabou que nunca mais tivemos notícias da saga e a Monolith continua na dela indo bem com o laçamento recente de Middle Earth: Shadows of War, outro jogo aclamado criticamente. Talvez seja apenas mais uma franquia que perdemos como Dead Space e que talvez esteja melhor como está: morta.

- Comissar Cain

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Sobre Comissar Cain

Formado em Cinema e fanático por cultura de nicho como Card Games, War Games e RPGs.
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