O que significa "Grimdark"?


O termo "Grimdark" trata-se de um neologismo e não tem tradução exceto literal, que seria uma abreviação da frase "Escuridão severa / cruel". Ele tem origem na sinopse do jogo de tabuleiro Warhammer 40.000:

"[...] Na escuridão cruel do quadragésimo primeiro milênio há apenas guerra"

O termo rapidamente se popularizou e acabou virando classificação de obras até posteriores. Hoje em dia, podemos dizer que temos obras ativamente sendo feitas com base na perspectiva do que significa o termo, e preciso explicar do que se trata antes de continuar com este artigo. História que compõem o tema normalmente giram em torno de uma visão de mundo mais "sem vida" e dúbio em relação ao destino. São as histórias em que não se pode presumir bem qual seria o final do conflito já que a trama em si não da uma possível solução como nas histórias comuns de herói e vilão. É um ambiente que tenta fugir dos clichês da narrativa convencional - Obviamente as vezes caindo em seus próprios clichês - onde a visão de mundo está em uma região mais cinza, como uma transição entre a moralidade do preto e branco. Os problemas também são mais realistas, onde os personagens principais não podem recorrer à famosa "armadura do protagonista" para escapar de situações negativas. Não há nada para solucionar o seu problema exceto você.

Por mais que o termo tenha surgido em um ambiente extremamente edgy (Gíria para algo alguém extremamente emocionalmente intenso) o que ele significa é algo que vai além do seu personagem favorito que acabou de morrer, é mais como a questão geral da narrativa. Grimdark tenta mostrar que as coisas podem ser duras e desesperadoras como na vida real, mostrar que não há nada lá fora para te salvar quando você mais precisa, mostrar que, as vezes, a história está na mão de alguém que talvez não seja completamente estável e tenha suas falhas, algumas vezes é até desesperançoso saber que o destino da trama está na mão de um personagem que talvez nem saiba lidar com a situação ou tenha péssimas influências por si só. 

Acho que o melhor exemplo do termo deve ser de onde ele mesmo se originou. Tudo que disse anteriormente abrange o universo do Warhammer 40.000. A humanidade um dia teve um sonho de dominar as estrelas e expandir sua sociedade por toda a galáxia, guiados por um líder poderoso e inspirador. Poderíamos parar por aqui se este fosse um filme da Disney, mas você sabe do que estamos falando. A humanidade, por ser quem somos, não soube lidar com as descobertas que fez e nem mesmo com sua própria expansão colossal. Não soubemos lidar com outras raças descobertas, não conseguimos gerir nossas cidades através dos planetas e com o tempo descobrimos que o universo não era um campo para ser tomado, e guardava segredos extremamente piores. Depois da suposta morte do imperador, o que sobrou da sociedade humana foi empurrada por uma onda sem fim de anarquia, má gerencia, fanatismo religioso e uma degeneração completa da tecnologia e da qualidade de vida humana, sendo reduzida a uma máquina de guerra que mal consegue se sustentar e vive uma linha tênue entre a ordem e a aniquilação completa vinda de todas as direções e até de seu interior. E estes são nossos protagonistas. Você vê personagens interessantes os quais você rapidamente se liga, começa a gostar e até fica feliz pelas suas conquistas, até pararmos para pensar que talvez a conquista do "mocinho" seja tão hedionda quanto o que ele estava enfrentando. Talvez tivesse sido um equívoco, um ato de ódio justificado por princípios distorcidos, e por ai vai.

E é o que é. Bem além dos bilhões de mortos em guerra ou aberrações intergalácticas, Grimdark é basicamente o que tudo isto significa como um todo: Que as coisas podem dar errado e que talvez você não consiga escapar delas. Imaginar que o destino dos personagens principais está sempre por um fio não se compara a entender que, talvez, os mesmos personagens principais nem mereçam essa salvação. Talvez caia a ficha de que estamos seguindo-os mais pelo costume de seguir o protagonista, mas quem sabe eles sequer foram feitos para serem gostados. Talvez devamos parar e enxergar a história mais como um exercício de pensamento, um "e se..." do que mais uma história de polícia e ladrão.

Repito, isso não muda que alguns autores menos experientes acabem caindo nos clichês e é bom saber diferenciar uma história que se da como na descrição do artigo de uma história que está apenas utilizando a crueldade pela crueldade sem atingir nenhum objetivo. Reduzir George R.R. Martin a "um cara que mata os personagens" é ignorar completamente a trajetória tanto de sua vida como de suas narrativas. Espero que tenhamos entendido finalmente do que se trata o termo "Grimdark".


- Comissar Cain
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Sobre Comissar Cain

Formado em Cinema e fanático por cultura de nicho como Card Games, War Games e RPGs.
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